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Acessibilidade criativa
O Instituto de Tecnologia Social (ITS) promoveu entre julho e setembro de 2007 o curso Recursos de Acessibilidade para a Autonomia e Inclusão Sócio-digital da Pessoa com Deficiência sobre inclusão digital para capacitar monitores e coordenadores de telecentros público no atendimento de pessoas com deficiência.
As aulas presenciais ocorreram no Programa Informática na Educação Especial (InfoEsp), das Obras Assistenciais Irmã Dulce, em Salvador. O InfoEsp é parceiro na iniciativa. O curso teve apoio da Microsoft e integra projeto Inclusão Sócio-digital das Pessoas com Deficiência, que também fornecerá equipamentos de acessibilidade.
Para a seleção dos telecentros participantes, o ITS utilizou informações cadastradas na Pesquisa Nacional de Tecnologia Assistiva, do Portal Nacional de Tecnologia Assistiva (www.assistiva.org.br), que mantém em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Entre os critérios estava a ausência de barreiras arquitetônicas nas instalações. Participaram 11 representantes de seis centros de tecnologia:
- Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Bento Gonçalves (RS)
- Colégio Técnico Industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru (SP)
- Escola Agrotécnica Federal, de Castanhal (PA)
- Escola de Informática e Cidadania, de Grossos (RN)
- Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Bauru
- Rede Jovem Comunitas de Madureira, do Rio de Janeiro
O curso teve três etapas:
- pré-curso, total de 20 horas-aula, com entrega de material didático e acompanhamento a distância (e-mail, Messenger e lista de discussão);
- presencial, 40 horas-aula no InfoEsp em Salvador, onde conheceram e aprenderam a montar adaptações (como mouse adaptado) e conheceram softwares de acessibilidade;
- pós-presencial, de 20 horas-aula, à distância, cuja finalidade foi compartilhar as primeiras experiências e resultados conseguidos nos telecentros a partir da aplicação das técnicas.
“Aprendemos a desenvolver recursos que fazem diferença”, conta Leda Rodrigues, coordenadora de Informática da Apae de Bauru. Leda e a fonoaudióloga Luci de Paula participaram das aulas. A instituição possui construções aptas e utiliza o software Holos, Sistema Educacional da Apae que desenvolve habilidades e competências em pessoas com deficiência. Ali, há dois laboratórios de informática, com 25 computadores. “A tecnologia contribui com a comunicação eliminando barreiras”, avaliou Luci de Paula. As colegas construíram um acessório inovador para quem tem dificuldades motoras: um acionador de mouse feito com carcaça de fita de vídeo e ponta de borracha, com base em modelo semelhante apresentado no curso presencial. “São soluções criativas e de baixo custo”, explica a fisioterapeuta e consultora técnica do ITS, Flávia Hong.
As soluções de acessibilidade se ajustam ao tipo de deficiência apresentada – física, mental, motora, visual, auditiva ou múltipla. O sistema operacional Windows, por exemplo, possui recursos como aumento de contraste e das letras para pessoas com baixa visão. Há outras alternativas, como a pulseira de peso, o teclado colméia (adaptação de plástico ou acrílico com furo nas teclas), o estabilizador de punho, comandos de programas por sopro ou fala, entre outros.
“A tecnologia é fundamental para o deficiente ter uma vida autônoma”, pontua Alexandre Baroni, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade). Baroni lembra, porém, que a sociedade deve possibilitar a autonomia da pessoa com deficiência. A gerente-executiva do ITS, Irma Passoni, acrescenta: cada cidadão precisa compreender que a deficiência faz parte da sociedade e modificar seu comportamento. “As exceções tem de ser vistas como normalidade”, completa.
“As pessoas com deficiência lutam há tempos pela adoção de políticas orientadas pelos princípios de desenho universal, de não-discriminação e de ação afirmativa”, diz o gestor de projetos do ITS, Jesus Garcia. “Somente assim será possível enfrentar os preconceitos e exclusão que impedem sua plena autonomia”.
Para 2008, haverá distribuição de kits com equipamentos de acessibilidade nos telecentros selecionados para o curso, de acordo com as demandas apresentadas. E mais obstáculos serão quebrados no acesso à tecnologia.
Fonte: Potencial Ilimitado: Centro de Informações - Microsoft Brasil


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